GramáticaVocabulário

Classes gramaticais: o que são e por que ajudam a aprender um idioma

Substantivo, verbo, adjetivo, advérbio: entenda o que são as classes gramaticais e por que reconhecê-las acelera o aprendizado de qualquer idioma.

Por Equipe Deckslingo5 min de leitura

Toda palavra de uma frase exerce uma função, e essa função tem nome: classe gramatical. "Casa" nomeia algo, "correr" indica uma ação, "feliz" descreve um estado. Saber a classe de uma palavra nova diz, antes mesmo de você usá-la numa frase, como ela costuma se comportar, e é justamente esse atalho que torna o aprendizado de vocabulário mais rápido.

Sumário

O que é uma classe gramatical

É o grupo ao qual uma palavra pertence conforme o papel que exerce na frase, e o critério vale para qualquer idioma. Duas palavras da mesma classe tendem a se comportar de forma parecida: mudam de forma do mesmo jeito, ocupam posições parecidas na frase e combinam com o mesmo tipo de palavra ao redor.

As 10 classes, lado a lado

ClasseFunção na frase
SubstantivoNomeia pessoas, lugares, objetos, ideias
VerboIndica ação ou estado
AdjetivoQualifica um substantivo
AdvérbioModifica um verbo, adjetivo ou outro advérbio
NumeralIndica quantidade, ordem ou proporção
ArtigoAntecede um substantivo, definido ou genérico
PronomeSubstitui ou acompanha um substantivo
PreposiçãoLiga duas palavras e indica a relação entre elas
ConjunçãoLiga orações ou palavras, mostrando a relação lógica
InterjeiçãoExprime uma emoção, isolada do resto da frase

As classes que carregam o significado

Substantivo: nomeia pessoas, lugares, objetos e ideias (casa, professora, liberdade). Costuma ser a primeira palavra aprendida de um campo novo, como comida, trabalho ou família.

Verbo: indica ação ou estado (correr, ser, parecer). É a classe que mais muda de forma entre os tempos e pessoas, por isso concentra boa parte do esforço de estudo.

Adjetivo: qualifica um substantivo (alto, feliz, caro). Em espanhol e francês, concorda em gênero e número com a palavra que descreve; em inglês, não muda nunca, o que simplifica bastante.

Advérbio: modifica um verbo, um adjetivo ou outro advérbio (rapidamente, muito, ontem). Na maioria dos idiomas, é invariável.

Repare a diferença: em "a fast car" (um carro rápido), fast é adjetivo: descreve o substantivo car. Em "he runs fast" (ele corre rápido), a mesma palavra fast é advérbio: descreve o verbo runs. Em inglês isso confunde bastante porque, ao contrário do português ("rápido" vira "rapidamente"), a palavra nem muda de forma entre as duas funções.

Numeral: indica quantidade, ordem ou proporção (dois, primeiro, dobro). Em inglês, a maioria dos ordinais vem do cardinal mais um sufixo (fourfourth), mas os três primeiros são exceções que se aprendem de cor (one/first, two/second, three/third).

As classes que dão estrutura à frase

Artigo: antecede um substantivo e indica se ele é conhecido ou genérico (o, uma). Em inglês, essa é exatamente a diferença entre the (definido) e a/an (indefinido): "the book" é um livro específico, "a book" é um livro qualquer.

Pronome: substitui ou acompanha um substantivo pra evitar repeti-lo (ele, meu, isso). Em inglês, he, my, this fazem o mesmo papel. É uma das classes mais usadas em qualquer texto, já que evita repetir o mesmo nome a cada frase.

Repare a diferença: "the car" usa artigo: não diz nada sobre de quem é o carro, só que é um carro específico ou já mencionado. "my car" usa pronome (possessivo): além de específico, diz que o carro é seu. Os dois ocupam a mesma posição na frase, mas carregam informações diferentes.

Preposição: liga duas palavras e indica a relação entre elas, seja lugar, tempo ou posse (em, para, de). É a classe mais imprevisível de um idioma pro outro: "depender de" em português vira "depend on" em inglês, nunca "depend of", e não existe regra pra isso, só uso.

Conjunção: liga duas orações ou palavras, mostrando a relação lógica entre elas, como adição, contraste ou causa (e, mas, porque). Em inglês, and, but, because cumprem o mesmo papel, e costumam ser a primeira ponte que se aprende pra sair de frases curtas e isoladas.

Juntas, essas quatro classes raramente têm uma tradução literal palavra por palavra, e são responsáveis por boa parte das frases que soam estranhas mesmo quando todo o vocabulário de conteúdo está certo.

A classe que foge da estrutura

Interjeição não entra nem no grupo de significado nem no de estrutura: é uma palavra ou expressão solta usada pra exprimir uma emoção ou reação (ai!, nossa!, uau!). Em inglês, wow, ouch, oops funcionam do mesmo jeito: não se conjugam, não concordam com nada ao redor, e podem aparecer sozinhas, fora de qualquer frase.

Por que isso importa para quem estuda um idioma

Reconhecer a classe de uma palavra nova ajuda a prever a forma dela (um verbo vai conjugar, um adjetivo em espanhol ou francês vai concordar), ajuda a montar a frase na ordem certa (a posição do adjetivo em relação ao substantivo muda de um idioma para outro) e ajuda a agrupar vocabulário por comportamento, em vez de tratar cada palavra nova como um caso isolado.

Como o Deckslingo usa isso

Cada palavra dos decks do Deckslingo já vem marcada com a sua classe gramatical. Ao revisar uma palavra nova, você não aprende só o significado dela, aprende também o comportamento na frase, o que ajuda a usá-la certo já na primeira tentativa.


Saber a classe de uma palavra ajuda a prever a forma dela, mas não garante o significado, e é aí que mora a armadilha dos falsos cognatos: quase sempre a palavra estrangeira e a parecida em português pertencem à mesma classe gramatical, o que faz a tradução errada parecer ainda mais confiável. E como qualquer padrão de comportamento, a classe gramatical se fixa melhor quando a palavra é revisada em contexto, exatamente a lógica por trás de como memorizar vocabulário com repetição espaçada.

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